Vagas sobrando, gente faltando: o gargalo que trava o comércio no Centro

Sem conseguir contratar, lojistas de todos os segmentos voltam ao velho expediente de expor placas nas vitrines. A reportagem contabilizou 41 anúncios em apenas quatro das mais movimentadas ruas do Centro Histórico de SP

Estamos contratando”. “Procura-se”. “Admite-se”. “Temos vagas” “Falta você em nosso time.” Em pleno mês de janeiro, tradicionalmente o mais fraco no comércio pois é tempo de balanço, de contabilizar lucros ou prejuízos ou dispensar temporários de fim de ano, chama a atenção, nesse início de 2026, a quantidade de placas em busca de funcionários na vitrine das lojas.

De pequenos lojistas a grandes varejistas, a verdade é que a falta de mão de obra persistente, relatada em diversas ocasiões pelo Diário do Comércio em 2025, tem levado os estabelecimentos a recorrerem, como última (e talvez desesperada) tentativa, ao velho expediente das plaquinhas para tentar atrair eventuais interessados por uma chance de emprego.

Andando apenas pelas ruas mais populares e movimentadas do miolo do Centro Histórico da capital paulista, como São Bento, Direita, Quinze de Novembro e Álvares Penteado, a reportagem contou 41 placas nos mais diversos tipos de comércio: lanchonetes, lojas de sapato, salões de beleza, óticas, lojas de moda, restaurantes por quilo. Até grandes redes com unidades na região, como Pernambucanas, Lojas Mel, Americanas e Torra ostentam plaquinhas em busca de colaboradores.

Na rua São Bento, a que tem a maior quantidade de placas (26), praticamente só não tem anúncio nos imóveis comerciais com placa de “aluga-se”. Mesmo no último quarteirão, que desemboca no Largo São Francisco e só tem cinco comércios ainda abertos, todos portam o anúncio. Entre os lojistas, a reclamação é a mesma: baixa adesão a jornadas longas, recusa pelo regime CLT, falta de comprometimento com horários e até o não comparecimento a entrevistas agendadas.

“Você marca seis entrevistas em um dia e ninguém aparece. Quando aparecem, muitos desistem depois de dois ou três dias”, afirma Karen Camila Moraes Militão, gerente comercial da Lolyta Souvenir Japan, que tem mais três unidades na Liberdade.

No salão de beleza Mofashi Beauty, que faz parte de um setor em que a dependência de mão de obra especializada é ainda maior, o impacto é direto no faturamento. A proprietária Carmem Campos afirma que a escassez de profissionais impede o crescimento do negócio. “Projetei o salão para seis cabeleireiros e quatro manicures. Hoje, tenho dois cabeleireiros e duas manicures. A demanda existe, mas falta gente para atender e a gente acaba perdendo dinheiro”, afirma ela, que enfrenta o mesmo problema em seu comércio de produtos de beleza, pois também procura operadores de loja e ajudante geral.

Segundo ela, muitos profissionais preferem atuar como prestadores de serviço, com carga horária reduzida e maior flexibilidade. “Tem gente que quer trabalhar só quatro horas por dia. Sábado, que antes era o melhor dia de faturamento, hoje é o pior porque ninguém quer trabalhar”, diz. “Às vezes a pessoa ganha o Bolsa Família e trabalha por conta. Não quer o trabalho fixo”, completa. Mesmo com aumento de comissões para tentar segurar os profissionais, Carmem afirma ter chegado ao limite. “Se eu aumentar mais, sou eu que vou trabalhar para o funcionário.”

.A matéria tem como fonte o portal: 

https://dcomercio.com.br/publicacao/s/vagas-sobrando-gente-faltando-o-gargalo-que-trava-o-comercio-no-centro

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